A audição é fundamental para o desenvolvimento da fala, linguagem e aprendizado das crianças. Por isso, o diagnóstico precoce de qualquer problema auditivo é crucial para garantir um futuro saudável e cheio de sons. É nesse contexto que o Exame BERA (Brainstem Evoked Response Audiometry) se destaca como uma ferramenta essencial.
Se você ainda não ouviu falar sobre o exame BERA, este artigo vai explicar como ele funciona, sua importância para o diagnóstico precoce e como garantir o acesso ao exame caso ele seja negado pelo plano de saúde ou SUS.
O Que É o Exame BERA?
O exame BERA é uma avaliação auditiva avançada que mede como o cérebro responde aos sons. Ele é realizado de forma indolor e segura, sendo especialmente indicado para bebês e crianças pequenas, que ainda não conseguem expressar possíveis dificuldades auditivas.
Como o Exame Funciona?
🔹Preparação:
O bebê deve estar calmo ou dormindo durante o exame para que os resultados sejam mais precisos.
🔹Procedimento:
Pequenos eletrodos são colocados na cabeça do bebê para captar as respostas do cérebro a estímulos sonoros enviados por fones de ouvido.
🔹Resultados:
O exame detecta como o nervo auditivo e o cérebro reagem aos sons, permitindo identificar alterações na audição.
Por Que o Exame BERA É Tão Importante?
A realização do exame BERA nos primeiros meses de vida tem um impacto direto no desenvolvimento da criança. Veja por que ele é essencial:
🔹Diagnóstico Precoce:
Identifica perdas auditivas desde os primeiros meses de vida, antes que o problema afete a aquisição da linguagem.
🔹Intervenção Rápida:
Permite o início de tratamentos eficazes, como o uso de aparelhos auditivos ou implantes cocleares, garantindo melhores resultados.
🔹Desenvolvimento Saudável:
Uma audição saudável é essencial para que a criança desenvolva habilidades de fala, comunicação e aprendizado de forma natural.
🔹Prevenção de Impactos Sociais e Emocionais:
Detectar e tratar problemas auditivos cedo evita dificuldades de socialização e aprendizado, promovendo maior inclusão e qualidade de vida.
Quem Deve Fazer o Exame BERA?
O exame BERA é indicado principalmente para:
- Recém-nascidos e bebês que falharam no Teste da Orelhinha.
- Crianças com histórico de infecções ou doenças que possam afetar a audição.
- Bebês prematuros ou com baixo peso ao nascer.
- Crianças que apresentam atraso no desenvolvimento da fala ou linguagem.
O Que Fazer em Caso de Negativa do Exame?
Embora o exame BERA seja essencial, algumas famílias enfrentam dificuldades para obtê-lo devido a negativas do plano de saúde ou do SUS. Essas negativas são consideradas abusivas e podem ser contestadas judicialmente.
Passos para Garantir o Direito ao Exame:
1) Obtenha um Laudo Médico Detalhado:
2) Peça ao médico que elabore um laudo explicando a necessidade do exame para a criança.
3) Registre a Negativa: Solicite ao plano de saúde ou ao SUS que forneça a negativa por escrito, caso eles se recusem a autorizar o exame.
4) Procure Ajuda Jurídica: Um advogado especializado em Direito da Saúde pode entrar com uma ação judicial para garantir o exame. A liminar, uma decisão provisória, pode ser obtida em poucos dias, garantindo que o exame seja realizado rapidamente.
Por Que Agir Rápido É Essencial?
O diagnóstico precoce é crucial para o sucesso do tratamento e para evitar que a perda auditiva afete o desenvolvimento da criança. Quanto mais cedo o exame for realizado, maiores as chances de garantir um futuro repleto de sons, aprendizado e qualidade de vida.
Conclusão
O Exame BERA é uma ferramenta indispensável para detectar problemas auditivos logo nos primeiros meses de vida, permitindo intervenções rápidas e eficazes. Se você enfrenta dificuldades para realizar o exame pelo SUS ou pelo plano de saúde, saiba que seus direitos estão garantidos por lei.
Não deixe que barreiras burocráticas atrasem o diagnóstico e o tratamento do seu filho. Com orientação médica e jurídica adequada, é possível garantir o acesso ao exame e cuidar da saúde auditiva da criança desde cedo.
“A audição é a porta de entrada para o aprendizado e a socialização. Não ignore os sinais – e garanta o direito de ouvir desde o início.”
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Artigo escrito por: Cristiana Caldeira Brant Oliveira Duarte, OAB/MG 137.592 – sócia do escritório Oliveira e Brant, advogada especialista em ações contra planos de saúde e contra o SUS.